Quando alguém me pede conselhos sobre começar projetos
novos, eu consigo ser uma pessoa tão cheia de esperança e motivação que chega a
ser até irônico essa situação na qual eu me encontro.
E em vez de estar super feliz e entusiasmada por começar o
blog aqui estou eu tremendo nas bases e cheia de dúvidas, não sobre o blog e
nem sobre mim mesma, e sim sobre as pessoas. Aqui, no entanto, tomarei uma
atitude muito questionável pra qualquer criador de conteúdo. Tomarei a
liberdade de escrever as próximas reflexões como quem está falando pra você,
mas no fundo bem no fundo eu também estarei falando pra mim.
É muito fácil se meter com o que você gosta. É muito fácil
começar os projetos e deixar de lado. Por exemplo quando eu era menor eu
costumava ficar escrevendo histórias e histórias sem terminar nenhuma. Consigo
entender que esse tipo de coisa acaba afetando a gente depois de um tempo e até
pra começar um projeto ficamos com medo de que ele não tenha um fim (ou que não
tenha um bom fim).
Faz algum tempo que abandonei a visão pessimista, mas ainda
sim preciso dizer que sim, é possível que você não termine os seus projetos. É
possível que você termine e que eles não fiquem bons. Entretanto isso não
significa de maneira alguma que eles não fizeram parte do seu aprendizado e da
sua vida. Considero que o interesse no projeto e a importância que ele têm para
o indivíduo como fatores decisivos sobre a relevância dele no seu percurso
nesse pontinho no meio do espaço que a gente ás vezes gosta de pensar que é
tudo. E que pode não ser tudo, mas é o máximo que nós conseguimos até agora.
Com tanto conteúdo disponível não só na internet, mas em
todas as grandes mídias, duvido que você não consuma algo que realmente goste.
Não precisa ser o conteúdo mais elaborado, mas existem pessoas empenhadas por
trás de qualquer projeto. Ás vezes só uma como no caso desse blog, mas as vezes
centenas, como o caso dos filmes. Nós somos seres sociais embora o convívio
social não seja sempre o que esperamos, mas sempre procuramos uma maneira de
nos conectar com os outros, de entendermos e sermos entendidos. Por isso eu
acredito que exista muito do processo artístico, por mais comercial que pareça,
em vários conteúdos da mídia.
Por muitas vezes já ouvi tanta gente procurando incentivo
também, por querer escrever um livro, por querer começar um canal, por querer
ter uma banda, por querer projetar casa, por querer ser gerontologista. E elas
sempre me parecer desesperadas por temer já ter gente demais nesse ramo, especialmente
quando falamos dos meios da comunicação e da arte (que no caso são os que eu
tenho mais contato). Acontece que as vezes esquecemos que o mundo que nos cerca
não é o mundo todo. As milhares de pessoas que você vê na rua todo dia não são
as mesmas pessoas que habitam a China, a Índia, a Austrália. São 7 bilhões de
pessoas o que é muita gente. E dentre toda essa gente, muitos vão ter os mesmos
interesses que você, mas não todos.
Especialmente falando de blogs, eu acredito que todos
deveriam ter um. Eu gosto de ler e creio que consigo me expressar melhor
escrevendo do que falando, o que me faz acreditar que deve haver pessoas assim
como eu e que nem sempre se sentem confortáveis comentando no Facebook, onde
elas são pressionadas a internalizar sua opiniões por causa de algum chefe ou
parente chato. Existem muitas pessoas com quem eu gostaria de saber a opinião,
conhecer melhor, ou pedir um conselho. Tem muita coisa que a gente sabe e
compartilhando poderia ajudar.
Independente desse blog dar certo ou não, dos seus projetos
darem certo ou não, as coisas que vieram junto com ele, as pessoas, as
informações, muitas vezes valeram a pena. Sem querer parecer aquela tia das
frases prontas, mas já sendo, aqui vai uma frase que eu gosto muito e levo pra
vida:
“Art is
never finished, only abandoned”
-Leonardo da Vinci
(parafraseando Paul Valéry)
(parafraseando Paul Valéry)
PS: Tem jeito mais pretencioso de começar um blog do que
esse?
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